Um sentir que falta e faz falta





Sinto falta da liberdade. Sinto falta de ficar bem, entre tantos e tantos pormenores que afetem o meu humor. Sinto falta de pensar em números e enlouquecer com eles ou de descobrir que Lamarck não é o carinha da girafa e que Mendel era o carinha das ervilhas. Sinto falta de procurar por respostas. Sinto falta de não saber o quanto a vida é chata e sofrível ou o quanto existem inúmeras pressões nos rodeando. Sinto falta de me sentir inteligente. Sinto falta de poder sair na rua, em meio a tantos rostos estranhos, com medo, olhando pro chão, sem deixar isso me impedir de chegar ao meu destino. Sinto falta de um destino. Sinto falta de música, de um teclado imaginário e da introspecção na janela do ônibus. Sinto falta de dançar na chuva, de olhar pro céu. Sinto falta de um outro mundo, mesmo que vazio, sem tanta cobrança, tanta prisão, tanta solidão, tanto vazio. Sinto falta de compreensão, de liberdade, de bem-estar. Sinto falta de ser altruísta, ainda que nos bastidores de uma carta e de um pseudônimo. Sinto falta de olhar pra dentro de mim, sem tantos olhares, julgamentos e palavras. Sinto falta de algo que não sei ou anseio. E anseio, na falta, não haver falta do que sinta, sentindo, sem falta, que não falta mais nada pra sentir...



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