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Meu nome? Ah, é Paulo. Ou Paullo. Paulinho, talvez, quem sabe? O RG me diz que é Elioenai, mas o Paulo vem logo depois, roubando a cena como se fosse o nome principal. Com um "l" só, simples assim. Muito normal. Talvez por isso tenha acrescentado em "Paulo" mais um "l", fazendo dois "l's" virarem um só (ou seria ao contrário?). E só, assim, eu escrevo, sem saber por onde estas palavras irão me conduzir.

Muitos se irritam por eu ser excessivamente tímido. Outros, me apertam as bochechas e dizem que sou fofinho. Alguns me rotulam como nerd, mas eu, no meu interior, acho que não sou. Sou bom e mal, feio e lindinho, triste e alegre, dependendo da lente que me observa.

Sou engraçado, sou bobo. Bem-humorado. Mal-humorado. Falo besteira, não penso e penso que não penso o que eu estou pensando. Canto errado, faço alguns pontos de crochê, toco meio pra cá meio pra lá o meu teclado e minha voz às vezes pode ser pior do que taquara rachada. Não curto rótulos, mas também me comparo com as pessoas de vez em quando. Sou contraditório. Sou convicto. Sou sim e não sou nada. Às vezes, sou apenas reflexão. Às vezes, sou apenas pensamento. Às vezes sou comum, sou só. Só eu.

Sou melancólico. Sou simples. Um pouco astrônomo, um pouco psicólogo, um pouco artista, às vezes. Só às vezes, pois na maioria delas eu não sou isso nem aquilo. O que sou? Ou, melhor, quem eu sou?

Acho que sou esse grande ponto de interrogação, que cresce e aprende sempre mais um pouco com o tempo. Aquele que procura ao redor motivos que lhe deem sentido para avançar nesta jornada. Aquele que se revolta, que xinga, aquele que chora e ri em pequenos intervalos de tempo. Aquele que não aceita ser parte do que não gosta, mas aquele que se entristece quando se sente excluído. Aquele que pensa e não pensa. E repensa. Ou escreve e não pensa. E pensa logo depois de escrever.

Mas a grande verdade sobre mim é que talvez eu não esteja apto para descrever quem eu sou. Talvez porque eu não seja essa capa que as pessoas veem, mas porque eu esteja assim, em uma metamorfose ambulante que se exterioriza a partir desse meu eu tão complexo. E assim eu vou vivendo, esperançoso de que um dia eu realmente me conheça. E enquanto isso não acontece, eu vou vivendo assim, desse meu jeitinho que me faz sentir tão... eu.