Um descontentamento descontente

Oi, bloguinho, como cê tá?

Me desculpa por ter abandonado você. Me desculpa, também, por ter usado você pra expressar minhas mágoas e descontentamentos com o mundo. Talvez eu não possa parar de fazer isso, ou te tornar expressão da minha felicidade, mas não leva isso pro lado pessoal não, tá? Eu gosto muito de você, embora nada disso faça sentido.

Sabe, bloguinho, eu não sei porque vim aqui hoje. Deu uma vontade grande de falar com você. Aproveitei a brecha que meu teclado do computador deu pra eu poder escrever um pouquinho e espero conseguir dar um pouco mais de vida pra essas palavras, que me apresentam um pouco mortas. As coisas mudaram e mudam sempre, levando um pedaço da gente por onde a gente passa, né mesmo? Talvez com as palavras seja a mesma coisa, embora nem sempre tenhamos controle sobre isso tudo. Acho que a questão tá um pouco aí: não temos controle sobre tudo.

Pra quem leva uma vida dependente e sempre teve vontade de fazer as coisas sozinho é um sofrimento levar a vida que levo hoje. É, to sofrendo pra cacete mesmo. Por esses dias, fui procurar alguma coisa pra me dar esperança e eu me decepcionei tanto. Parece que aquele pequeno momento de ilusão se desfez. Eu, que tinha assumido pra mim mesmo que as pessoas não são perfeitas e que eu preciso superar os problemas que acontecem na minha vida, independente de gostar ou não do sistema, me desiludi, mais uma vez, com tudo o que eu tentei fugir ou fingir. Talvez essa tentativa de querer ser algo pra ser aceito seja também uma pressão, imbecil como todas as outras pressões que também existem.

Parece-me que toda aquela segurança e sentido de vida são utópicos. Queria poder viver o que tenho em mente, a menos pra tornar menos sofrível essa experiência aqui, mas me é tão impossível... Em cada caminho, eu já não enxergo um pedaço de mim. Até naquilo que eu mais queria desde que pregava madeiras e dava sentido pra pequenos objetos sem sentido eu já não vejo tanta esperança. Talvez por saber que a minha voz não seja tão somente a única causa pra que tudo aconteça, já que eu não sou plenamente responsável por todas as desgraças que acontecem na minha vida - não, eu não sou, e não aceito concepções que me digam o contrário, por favor; o mundo já tá cheio de culpados. Ainda que minha interferência seja fundamental pro que eu vivo (a forma como eu lido com o que me acontece principalmente), eu já não me sinto encaixado, dentro do grupo que me cerca, pra viver uma vida menos infeliz. Eu preciso de convivência, mas uma convivência menos pautada nesse capitalismo selvagem, que me possibilite desenvolver o que eu quero e que seja útil pras outras pessoas. Não, não sou eu que tenho que mudar, ver com outros olhos, por favor, cale a boca. Eu já cansei de querer fazer isso e digo que não dá certo pra mim. O meio influencia e muito pra todo esse desenvolvimento e, ser brasileiro, infelizmente, não tem me ajudado em nada.

Sabe, bloguinho, será que um dia o mundo vai poder enxergar tudo isso? Eu não quero me adaptar, ser a expressão infeliz de um cidadão que não teve outra alternativa. Eu só quero poder ter um pouco mais de liberdade, de bem-estar, de contribuição com as pessoas que realmente se importem com o que eu faço... E com quem eu realmente sou.




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