Um singelo sopro de insanidade
Estou tonto. Vejo todas as coisas girando e girando e nada, no entanto, sai do lugar. A sensação de loucura toma conta de mim agora, e nada aparenta ser real. Estou bêbado? Não. Por enquanto não.
Sinto frio. Estou gelado. Pálido. Meus braços descobertos clamam por um pequeno pedaço de pano que os protejam dessa sensação tenebrosa. Meus olhos lacrimejam ao primeiro som do vento que recobre o ambiente no qual estou. O sol parece lutar para aparecer lá no céu, mas não possui forças suficientes para realizar tal ato. E eu satisfaço-me com minha loucura enquanto isso.
Hoje preparei-me para perder a consciência, não minto. Mas ninguém poderia entender. Essas simples palavras provavelmente não farão muito sentido a ninguém. Nem a mim mesmo, por sinal. Prefiro encontrar no pequeno gesto do nascer do dia aquilo que por mim mesmo não consigo explicar. Opto por permanecer doido, perdido em meu mundo, aspirando a algo que nem eu mesmo sei direito. Não sei? Sei. Não, talvez não saiba. Ou saiba? Quem sabe...
Gostaria de um pequeno gosto de chuva. Gotas d'água embriagando-me ao entoar magnífico do ar em movimento. Neve. Ah, neve... Jogar-me-ei sobre ti, esplêndida brancura natural.
Sim, estou louco. Não posso entender. Escolhi fugir de seu mundo para um lugar pouco reconhecido pelas pessoas: o meu próprio mundo, o solitário e vazio ambiente de minha consciência. Refugio-me aqui, onde nenhuma regra social poderá arrancar o meu ser e tornar-me um mero objeto reprodutor de obras que jamais serão acabadas. Haha, serão destruídos. Destroem-se. Mas eles mesmos não veem isso. Não são capazes de ver. E quem dirá isso a eles? Um doido? Não, claro que não. Por isso continuarão assim, e sofrerão por muito tempo. Muito tempo.
Conservo-me na minha loucura. Partirei logo mais, quando o toque de realidade chamar-me para esse triste e cruel ambiente que compõe o seu mundo. Seu triste e mascarado mundo...
Muito bom o texto! Curti demasiadamente as ideias da loucura... Parabéns , abraços!
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