O menino de camisa xadrez

Há um bom tempo, eu tentei. Tentei, forcei, achei uma pequena brecha e fui. Mas, ao voltar, me perdi, e não pude me encontrar.

Em meio a tempestades e outras intempéries da vida, agarrei-me a pessoas, como aquele velho menino de blusa xadrez. Plantei árvores, coletei sementes, procurei fazer o melhor que pudesse por mim e pros outros. Mas eu me perdi, mais uma vez.

Me perdi me procurando. Procurando o Paulo. Me perdi em entrevistas, me perdi em cadastros, me perdi em empregos inexistentes. Me perdi na ilusão de que um dia eu realmente seria ou conseguiria alguma coisa. Mas eu me enganei. Mais uma vez.

Orei, buscando respostas. Encontrei algumas que se dispersaram com o tempo. Voltei à estaca zero. Tentei em vídeos, palavras e livros, mas nada me remetia àquele mesmo menino de camisa xadrez. Ele, enfim, parecia ter-se ido para sempre, levando consigo toda a inocência e felicidade que um dia, talvez, tivessem existido.

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E hoje ainda aguardo por esse mesmo menino, torcendo para que nesse caminho ele não perca o que levou quando voltar. Se voltar.

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