Fantasmas humanos

Oi, bloguinho, tudo bem? 

Acho que já faz tempo que eu não te trago notícia boa, né? É que ultimamente tudo tem me feito muito triste e, aí, vez ou outra eu acabo descontando tudo em cima de você, por falta de opção, digamos assim. Mas, liga não, tá? Uma hora isso passa - espero.

Eu ando meio desanimado, bloguinho. Acho que minha vida tá meio morta, sabe... Eu não me animo muito em conversar, em sair, em lutar por alguma coisa. Já faz tempo que eu não encontro um sentido que me faça realmente querer ficar bem. Minhas prioridades andam meio sumidas, assim como eu. Mas tudo isso não é por eu querer, vamos dizer assim. Sinto muitas coisas que não gostaria de sentir. Invejo muito quem não sente essas coisas e vive num mundo fantástico de Bob, seja lá como o chamem. Às vezes, parece que só eu vejo as coisas como elas realmente são. E as sinto, ao invés de contornar tudo isso "vivendo a minha vida". Acho que eu paro muito com esses pormenores, algo que poucas pessoas realmente fazem. E isso me entristece.

Talvez eu seja aquele menininho que queria mudar o mundo. Mas eu não tenho mãos ativas nem coragem suficiente pra isso. No fundo, no fundo, eu sou só mais um, como todos eles. Eu passo, deixo a vida passar, ao contrário de muitos, que estão sempre fingindo alguma coisa a ponto de nem saber que estão realmente fingindo, vivendo conforme a música, como minha irmã diria. Eu já cansei de tentar sobreviver, de encarar o mundo como "assim e pronto" ou tentar contornar a situação em um ritmo paralelo. Pra quê? Pra sofrer calado? Opiniões minhas que poucas pessoas entenderiam ou respeitariam, julgando-me como eu faço agora. Era pra ser tão simples... Vocês complicam tanto! Por que essa selva de pedra maluca com muros invisíveis?

A verdade é que eu eu cansei de lutar contra algo que não se pode vencer sozinho. Não sou eu quem vai tornar o mundo um mundo fantástico de Bob, de verdade. Mas queria que as pessoas tomassem um pouco de vergonha na cara e admitissem pra si mesmas que a felicidade está muito longe de existir enquanto no mundo houver alguém sofrendo. Num espaço onde todos convivem, dever-se-ia, pelo menos, haver respeito entre as partes e isso é o que eu pouco tenho visto. Só vejo aglomerados humanos, cada qual com seus interesses - resumidos a dinheiro, na maior parte -, onde o resto vai se encaixando como pode nesse padrão de vida. E aqueles que não querem viver sob o padrão, tornam-se excluídos, aos poucos, da sociedade, virando em seu todo meros fantasmas urbanos.

Sei que eu tô longe de estar totalmente certo, mas queria que estas palavras tomassem mais atenção. A gente já parou de construir alguma coisa há centenas de anos. Só estamos repetindo e repetindo os mesmos dogmas capitalistas para simplesmente sobreviver. O meio ambiente virando pó, as relações humanas  (dir-se-á entre as pessoas) cada vez mais escassas e o pouco que tem feito alguma coisa só o faz sob uma causa que atende um grupo seleto de pessoas, ou muitas vezes sob causas pouco respeitadas (de verdade mesmo) pela maioria do povo. Vivemos sob um sistema corrompido, por que ninguém enxerga?

Acho que eu tenho morrido. Por faltar-me a força, sob pressões constantes e interações pouco convenientes, eu me entrego para não querer sofrer mais, achando que alguma coisa realmente vai mudar um dia. E aí eu torço, então, que minha voz abra os seus olhos sobre tudo o que dizem que a vida é e não é, mesmo que eu não tenha argumentos que o faça convencer nesse momento. E se um dia ler algo parecido, que não feche os olhos dizendo que não pode fazer nada também, eu imploro. Já existem muitos fantasmas como eu.




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