Sobre sentimentos

   Em algumas passeatas pelo meu próprio blog, vi o quanto mudei. O jeito de escrever, de me expressar e até o que compartilhar foram itens que se modificaram muito desde a criação do cantinho. É estranho pensar na minha caminhada, nas minhas emoções e em tudo o que eu passei desde então. Parece um filme daqueles que a gente nem imagina como pode terminar.
   Depois de tantas sensações estranhas, volto ao ponto de partida das minhas reflexões: por que escrever aqui? Sempre me perguntei isso e até hoje não obtive uma resposta concreta. Às vezes, me pego dizendo que é porque aqui eu posso transpor em palavras o que eu sinto mais rapidamente do que se estivesse escrevendo com caneta e papel. Mas é superficial dizer que é só isso. 
   Desde as minhas pequenas crises, notei que meu blog vem sendo meu amigo pra desabafos. Talvez ter a consciência de que nesse espaço não há uma pessoa física que eu não conheça e que me responda a todo momento colabore um pouco para isso - e daí também o sentido do nome do blog. Percebo que essa propriedade é que me aproxima sempre daqui, além das outras possibilidades envolvidas em volta do espaço (como dinamizá-lo um pouco mais, ainda que eu não tenha a pretensão de divulgá-lo por aí).
  Em paralelo, nestes últimos dias, percebi o quanto ainda falta para eu me sentir realmente bem. Sinto falta de muitas coisas que não podem ser descritas, mas que estão cravadas em um eu distante que gostaria de conhecer um dia. Sinto falta de momentos, de coisas, de palavras e até de outras saudades. Ontem mesmo me peguei pensando nas voltas de bicicleta que fazia com meu pai e no quanto isso podia ser chato e legal ao mesmo tempo na minha cabeça naquela época; me peguei pensando em  números, em situações, em viagens, que não sei se estarão tão perto de mim nesse momento.
   Pensei em como todas essas coisas poderiam estar no blog. Registros em formato de imagens (po, como eu queria uma câmera agora..), textos em prosa, desabafos constantes. Foram tantas as coisas que tentei esconder dos outros e que, no final das contas, escondi de mim mesmo. 
   A vida não volta à tona, os sentidos não são os mesmos, a comida já é menor, os recursos são escassos, e algo ainda não se encaixa. Talvez seja isso que me faça sentir falta de tanta coisa. Talvez seja eu que esteja errado o tempo todo, num mundo de tantas incertezas. 
   Parei no tempo a procura de um sentido que me empurrasse pra frente. Mas não encontrei. E voltei, tentando me encontrar de novo, em balanços constantes que deixam o meu chão cada vez mais flutuante. Estou confuso, meio triste, meio esperançoso. Acho, porém, que talvez esse meio nunca se complete.
    Sobre sentimentos? Ah, sim. Eles estão aqui. No meio dessas palavras.

Comentários

  1. Que lugar mais lindo, meu Deus. E que texto lindo, acho que, de certa forma, todos nós que escrevemos em blogs já nos questionamos e refletimos o mesmo. Eu não sei realmente o que te leva a escrever aqui, mas: não pare! Aqui é um cantinho muito gostoso de se está! Beijos.

    vivapaulatinamente.blogspot.com.br

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    1. Nossa, muito obrigado :') haha Fico feliz que tenha gostado do meu cantinho...

      Ah, seu blog é um cantinho muito gostoso de se estar também haha Gostei bastante!

      Fique à vontade pra fazer visitas aqui quando quiser, xará! haha Beijos! ^^

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