Num parágrafo só

        Não quero sentir medo das minhas escolhas por conta das escolhas dos outros.. Quero ser livre pra querer meu próprio bem e não querer nada que não me faça bem. Estou à procura de sentido nas pequenas coisas, querendo excluir toda essa ansiedade que me obriga a trabalhar e fazer cursos que não me levam a lugar algum -pode até levar quem tá adaptado a essa vida, mas a mim não me leva, desculpa. Aprendi no violão que nosso melhor professor é a gente mesmo, mas que podemos em algumas circunstâncias contar com outras pessoas. Aprendi com as partituras que professor algum me fará entender se eu não quiser, pois, de um jeito ou de outro, tudo o que acontece deve partir de mim, e não do outro. Esse incentivo que a gente procura nas coisas pra fazer alguma coisa nunca estiveram nelas. Não são sonhos nem expectativas que me movem, mas a vontade de querer sempre alcançar um passo maior na compreensão de mim mesmo, ainda que viva sem dinheiro, sem experiências físicas, sem qualquer outra coisa distante que faz sentido pra muita gente. Aprendi com a minha mãe a sentir medo das coisas, mas também a não deixar que isso me tire a esperança de dias melhores durante a dificuldade. Vou aprendendo a sair do foco dos outros, aos pouquinhos, criando o meu mundo que não quer nada disso que me oferecem. Vou criando força pra dizer "não" ao que não gosto ou sinto que não me fará bem, vou tentando não sentir medo de me arrepender, de fortalecer meus sentimentos no presente, pois sei que, no final das contas, são eles que a gente carrega pro fim, e não as coisas ou falsas experiências que passam pelas nossas vidas. Muitas das pessoas querem que a gente viva de títulos, de padrões, de dinheiro, mas esquecem o que há de bom no ser humano além dessa materialidade boba. Gente que acha que o mundo é assim e pronto e que se adequar a ele é o único passo, como se a vida no capitalismo fosse solução pra tudo. Como o mendigo Falcão do livro que li, deveríamos sentir a pureza de seus gestos, e a verdade de seu coração e não a sua aparência ruim, como o senhor Marco Polo realmente fez. É o que eu procuro: encontrar essa pureza de sentimentos pra rejeitar tudo o que não gosto, assegurando-me de conseguir estar bem, seja lá como for. Não quero emprego estável, faculdade, carro do ano... Quero o que sempre quis desde a época em que a mesa era alta pra mim e os adultos eram gigantes que não entendiam nada da vida: quero continuar sendo a mesma criança, com a mesma sensibilidade que me leva além de todas as coisas que existem no mundo.

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