Paris em prantos



Chuva que bate à porta
Molhando todo esse sofrimento
Que há tanto tempo incomoda...
Chuva que chega torta
Apavora
E vai embora.

Chuva que chora o seu choro triste
Que limpa o chão vermelho
Que molha o coração ferido
Chuva que chega torta
Apavora
E vai embora.

Mas a mesma chuva que o vê
É a chuva que sofre
Quando some sem saber por quê
Chuva que chega torta
Apavora 
E vai embora.

Chuva que molha o ciclista, o artista, o equilibrista
Chuva que me tira a dor dos olhos
Chuva que lava e suja a pista
Chuva que chega torta
Apavora
E vai embora.

Se um dia sumir,
Leve-o contigo, senhora chuva
Pois sofrer ele não quer mais

Não molhe seu rosto
Pois suas lágrimas isso já o fazem
Apenas lhe traga paz.

Chuva que corta a pele
Que marca a alma com um simples toque
Por favor, não vá
Não deixe esse pobre menino que não vive
Sozinho a chorar

Chuva que vem num instante
Que passa, fica 
e vai
Chuva que chega torta
Apavora
E  não volta mais.


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