Batam palmas!
Quero palavras desorganizadas! Sim, daquelas em que juntemos expressões ininteligíveis que acalmem tao somente o nosso coração! Vamos, saltitantes, vamos fazer do espaço um lugar melhor!
Quero amar! Amar... Pera, eu sei amar? Não, eu não sei amar. Eu nem sei se o amor realmente existe - pelo menos não esse amor romântico tão ridiculamente estereotipado, com um rótulo de margarina na testa. Se em contraponto desse egoísmo humano todo, gostar de alguém pra se suprir é amar, então o amor existe. Nos campos filosóficos da minha alma, talvez as coisas não funcionem bem assim, ou não queiram funcionar. Mas é o que eu vejo e me tem sido a verdade absoluta, até que se prove o contrário.
Tenho em mãos agora a minha 'visão do mal'. A luneta mágica para os meus dias! Como é que tens a sabedoria se tratas todo mundo como inimigo? Ou será que todo mundo se trata assim, nessa selva inescrupulosa e competitiva? Vai dizer pra um concursado ou um vestibulando que ele tá competindo e você vai ouvir milhões de 'as coisas são assim mesmo' e ' e o que eu posso fazer?'...
Vai dizer.. Sem formalismos? Ou vão pro raio que o parta com essa hipocrisia toda? Se nem ser eu eu posso, ainda vou ter que me adaptar pra sobreviver dizendo palavrinhas bonitinhas felizes, sorrindo o tempo todo, me portando como um 'cidadão de bem', com toda essa falsa liberdade, esse falso moralismo e essa falsa vida em sociedade, dentro de uma competição desenfreada pra alimentar um pouco de atenção pra esse ego bandido? Ah, vão pro raio que os parta!
Eu não pedi pra nascer. Eu não pedi pra ter consciência de mundo. Eu não pedi pra me adaptar ao que já me foi imposto. E, mesmo sem voz alguma, eu querer pedir essa liberdade que me some, esse amor que me falta e essas palavras que já não existem é querer demais.
Entre tantas e tantas contradições, a gente se adapta, nesse paradoxo infinito. Escolhe palavras, dissimula atitudes, encobre um pouco do nosso eu, até que essa mentirada toda vire uma verdade oculta, tao oculta que já nos é vivida como se fossem leis de Deus. Loucura? Não, sobrevivência nessa selva que vocês criaram e que, por me calar tanto, eu ajudo a manter. Batam palminhas. Os duendes verdes agradecem. E enchem os seus bolsos com tanto amor e tantas palavras lindas.
Vamos, mais palavras! Ou vai calar-se? Será que você é tão medroso assim? Você também se enche com todas essas coisas fúteis, com todas essas necessidades criadas a partir de uma obsolescência planejada, com todas essas falsas sensações que dizem te preencher, mas que não te preenchem. Finges pra sobreviver, como todo mundo e, lá no fundo, nutres a expectativa de uma consciência coletiva, a fim de tornar esse espaço um lugar um pouco mais vivível e um pouco mais para todos. Para ser livre. Para sentir teu coração saltitar, longe de tanta hipocrisia.
Não vai falar mais nada? Não há mais nada a dizer? E esse coração tão sujo, tão cansado? E esse teu estômago, cheio de ácidos gerados por esse estresse e por todas essas mágoas malditas? E essa tua vida torta, teu peso que te afunda as costas, que te faz pedir a Deus que te livre desse inferno todo? E esse teu céu tão cinza, que gostaria de colorir para poder, enfim, seguir teu coração e ser feliz com o teu caminho? E o desejo de estancar esse egoísmo maldito, esse hedonismo desenfreado, essa peste competitiva que sufoca o ar? E essa vontade de dizer "Basta!", de queimar todo o suor do mundo e de tornar tudo menos degradante?
E você, onde você está? Quem é você? Por que você existe? É caro demais para pensar ou gastar teu tempo assim? É besta demais essa ideia de perfeição a todo custo para apenas sobreviver?
Bem-vindo à selva. Não, não há como sair. Não há como fugir. Não dá pra organizar as palavras que já foram entortadas. Batam palmas, agora.
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